domingo, 15 de julho de 2012

Após partir vazio Triton Stork vai para Paranaguá para ser carregado. Onde esta nossa capacidade de embarcar cereais?




Durante o mês de junho, o Porto de Porto Alegre recebeu a visita do navio mercante “Triton Stork”, de bandeira panamenha. Aqui a embarcação que mede 189,59 metros de comprimento descarregou 7.250 toneladas de insumo para a indústria de fertilizantes. Sua operação de descarga foi concluída no dia 26 de junho e o mesmo partiu rumo ao porto de Paranaguá, no Paraná. Lá chegou no dia 29, logo após a meia noite, tendo de fundear fora da barra para aguardar o momento de sua entrada no porto. Sua espera neste local ocorreu até o dia 10 de julho, quando recebeu autorização para entrar na área do porto, para então fundear novamente. Por fim atracou às 10 horas da manhã do dia 11.
Um fato que nós devemos questionar é o porquê o porto de Porto Alegre perdeu sua capacidade de realizar grandes embarques de carregamentos de cereais. Há uns anos atrás este tipo de operação era corriqueiro. Muitos dos navios que aqui aportavam para descarregar insumos para a indústria de fertilizantes aproveitavam a oportunidade para também carregar cereais. Mesmo não saindo com seus porões completos, eram possíveis dos mesmos levar uma parte da carga, e completá-los em Rio Grande. Onde o calado é maior e permite ao navio receber maior volume de carga. No entanto, nos dias de hoje este tipo de operação não ocorre mais. E nem se questiona o porquê desta realidade ser assim.
Não é novidade que uma das empresas que pode fazer este tipo de operação é a Companhia Estadual de Silos e Armazéns – CESA. Autarquia do Estado que passa por diversas dificuldades em virtude da falta de investimento em seu maquinário. Não que o mesmo não receba recursos, mas sim por que quem não investe e se moderniza esta fadada a ficar ultrapassado. Já que na atualidade se cobra cada vez mais rapidez nos processos de embarque e desembarque de produtos e mercadorias.
Outra parte do nosso porto que realizava este tipo de operação, era o antigo terminal da empresa Samrig. Que hoje se encontra desativado e em lastimável estado de conservação.
Lastimável é constatarmos a incapacidade do Estado de manter seu patrimônio conservado e operando. E sua ineficiência em conseguir fazer parcerias com a iniciativa privada para que, na sua incapacidade, possa tocar o negócio a contento. A demora em tomar atitudes representa a depredação deste patrimônio ao ponto do mesmo deixar de ser considerado um bem, transformando-se em sucata, conforme cada caso. Isto é possível de ser visto em vários locais do nosso porto da capital do Estado. Que deveria ser um cartão de visitas dinâmico. Mostrando nosso potencial e nossa agilidade. Mas que na realidade evidência nossa incapacidade de gerenciar um negócio lucrativo em qualquer parte do mundo: um porto.
Como podemos ver, estamos perdendo posições no âmbito nacional não pela competência dos demais estados da federação. Mas pela nossa ineficiência. E isto tem de ser revisto. Pois do contrário, em pouco tempo nossas dificuldades haverão de ser muito maiores. Esta na hora de deixarmos de lado o orgulho. E assumirmos que é preciso investir na educação, capacitação e profissionalização do setor público. E que não é possível mantermos a máquina pública apenas com discursos otimistas, e sem união dos partidos políticos pelo bem comum. Política não se faz para proveito próprio e sim para o bem estar socioeconômico da população.
Foto 1 – Navio mercante “Triton Stork” partindo vazio do porto de Porto Alegre”
Foto 2 – Silos da CESA, um patrimônio público junto do porto e pouco utilizado neste contexto.
Foto 3 – Navio mercante “Lily”, de bandeira brasileira operando no terminal graneleiro do porto de Porto Alegre.
Fotos: Carlos Oliveira

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