A partida do navio mercante “Callio” na manhã de sexta-feira (05) é mais uma oportunidade de reflexão. O navio que havia chegado na manhã de domingo (31/MAR) ficou cinco dias operando em nosso porto. Isto para que pudesse descarregar apenas 8.000 toneladas (cito o dado fornecido pela administração do porto em seu site oficial) de sal marinho. O longo tempo que esta operação levou chama a atenção, e é preciso compreendê-la. Pois disso podemos tirar alguns ensinamentos, assim como compreender melhor a nossa situação.

Outro fato diz respeito ao custo de operação no porto. Que nos casos de domingos e feriado é efetivamente muito mais caro. Tanto é que o dono da mercadoria chega a adiar a operação de descarga nestes dias e assume o custo de manter o navio parado junto ao cais. Este custo necessariamente será repassado ao produto, chegando consequentemente ao consumidor final. E com ele é pago em dólares, o país também perde divisas importantes e que nos custam muito caro conseguir.
Finalmente chego a um ponto que dificilmente é percebido e que representa o motivo pelo qual o navio atrasou em um dia sua partida. Inicialmente o “Callio” iria partir na manhã de quinta-feira (04). Porém neste dia estava previsto a chegada de uma frente fria, com fortes chuvas acompanhadas de fortes rajadas de vento. Lembrem que um forte temporal já havia atingido a Argentina. Por tanto partir na quinta-feira representaria enfrentar estas condições climáticas adversas no meio da viagem até o porto de Rio Grande. Viagem com canais artificiais estreitos com relação ao tamanho do navio. E como o mesmo estava vazio, pois nosso porto nada consegue embarcar neste tipo de navio. Seu calado era muito menor. Fazendo com que ele ficasse mais elevado sobre o nível da água, e sofresse um efeito maior da ação do vento. O chamado “efeito vela”. Capaz de retirá-lo de seu rumo, provocando o seu encalhe, se estiver navegando em área de canais artificiais. Esta realidade não é uma fantasia. Ela já ocorreu e esta registrada inclusiva pela imprensa. É evidente que este motivo não é revelado de forma clara e direta. No entanto ele é considerado pelas pessoas que tomam as decisões no navio (comandante, armador, agente, e proprietário da carga). O prejuízo no encalhe de um navio e muito grande. Sua solução é cara. E o ressarcimento dos custos é demorado. É por isto que diante da realidade algumas decisões são tomadas sem que nós tenhamos completa consciência de sua complexidade. Expor esta realidade é o primeiro passo para que possamos enfrentá-la. Pois somente assim é que conseguiremos melhora nossa situação. Tendo no futuro um porto mais eficiente. Operando com plena capacidade, a custos baixos e risco zerado.
Pensem nisso, pois isto é importante para o nosso futuro.
Fotos: Carlos Oliveira
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