

Outro risco inerente da navegação se materializa na sinalização espartana dos canais artificiais. Motivo de muita reclamação pelos práticos que guiam os navios. E que por este motivo conhecem o trajeto muito bem. Mas que sentem a falta e a necessidade da colocação de um número maior de boias nestes canais. Possibilitando uma melhor sinalização. E reduzindo com isto, os riscos à navegação.
Com canais estreitos, cuja largura padrão é de 80 metros. Um navio mercante com 32,26 metros ocupa uma área muito grande do mesmo. Além do mais esta sujeita a sofrer a interferência do vento, o “efeito vela”. Que ao bater sobre sua superfície lateral, pode arrastá-lo para fora do canal, como já ocorreram várias vezes com outros navios mercantes.
Normalmente o nevoeiro que se forma, por mais forte que seja se dissipa ao longo da manhã. No entanto, naquela terça-feira (11/JUN) sua força e intensidade foram diferentes. E literalmente o Sol não apareceu o dia todo. Assim como no Aeroporto Internacional Salgado Filho a movimentação de aviões foi prejudicada. Em termos da navegação nenhum navio entrou ou saiu do porto naquele dia. Representando um atraso em toda a programação e elevando os custos das operações portuárias em um dia. Este fato demonstra o quanto somos vulneráveis a um fato simples e corriqueiro, o nevoeiro. Que todo ano ocorre, em maior ou menor intensidade em alguns períodos específicos do ano. A falta de investimentos em infraestrutura básica acaba por nos expor, de forma vergonhosa as nossas deficiências. Ao citar este caso, fiz questão de relacionar dois meios de transporte que atingem de maneira diferente a nossa população. Se a aviação é mais importante para o transporte das pessoas. E sua paralisação acarreta não só transtornos, mas prejuízos financeiros. Por outro lado, na navegação comercial o prejuízo também ocorre. Pois as despesas com o aluguel do navio são repassadas ao custo final do produto. E como o que mais circula pelo nosso porto de Porto Alegre são os insumos da indústria de fertilizantes. Este custo também é repassado ao setor agrícola. Impactando em algum momento, de forma direta, a nossa alimentação.
Se por um lado nosso aeroporto internacional carece de melhores instrumentos. Cuja principal característica seria permitir os pousos e decolagem com qualquer tempo. Por outro lado nossa hidrovia carece de boias adequadas para sua sinalização. E de um projeto de alargamento de seus canais para com isto darem maior segurança aos navios de grande porte que aqui navegam. Pensar isto é pensar na segurança. É investir na redução de nossos custos. É viabilizar nossa economia, com condições mais competitivas e ampliam as possibilidades de novos negócios. Pensem nisso! Pois este assunto diz respeito a todos nós.
Com relação ao navio mercante “Newseas Pearl”, ele só atracou na manhã de quarta-feira (12/JUN). Percorrendo os cerca de 300 km que separam os portos de Rio Grande e Porto Alegre, em mais de 47 horas. Isto é muito tempo para um estado que quer ser competitivo, e atrair novas empresas para suas terras.
Muito Obrigado!
Fotos: Carlos Oliveira
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