segunda-feira, 18 de março de 2013

A importância da navegação para o nosso desenvolvimento econômico.


Há alguns dias, quando divulguei a passagem do navio mercante “BBC Olympus”, disse que o mesmo estava embarcando transformadores produzidos no município de Canoas. Posteriormente recebi um questionamento sobre como o porto e a navegação são importantes para nossa economia, se o que vemos no dia-a-dia são os caminhões que transportam nossa produção. Por este motivo, respondo o questionamento aproveitando o próprio caso do “BBC Olympus”.

Quando o navio chegou a Porto Alegre, estava previsto que o mesmo iria embarcar 5 transformadores. Na realidade pelo atraso na chegada de um deles transformadores, de 275 toneladas destinado a São Paulo, o navio partiu apenas com quatro das unidades inicialmente programadas. Em sua viagem o “BBC Olympus” realizou uma parada junto ao porto de Santos no estado de São Paulo. Lá também embarcou peças para geradores eólicos produzidas aqui no Brasil. Com relação aos transformadores aqui embarcados, os mesmos tinham como destino o porto de Belém do Pará. De lá seriam transferidos para uma balsa, a fim de subir o rio Amazonas rumo ao estado de Roraima.

Como podemos ver, o pleno desenvolvimento de um país se dá pelo aproveitamento racional de seus recursos humanos e materiais, além dos modos de transporte. A utilização única e exclusiva do modal rodoviário não nos dá vantagem econômica e competitividade. O correto é aproveitar os recursos e meios de que dispomos da melhor forma possível. É neste caso que os portos e a navegação entram, de forma ímpar para a garantia de nossa competitividade e o nosso desenvolvimento econômico. Sem a sua utilização, não conseguiríamos levar os dois transformadores de 275 toneladas cada e dos dois transformadores de 230 toneladas para Roraima. A engenharia para que isto fosse realizada, além de ser extremamente difícil, inviabilizaria economicamente a operação. Logo comprometeria o desenvolvimento econômico de Roraima, que necessita destes transformadores para garantir o fornecimento seguro de energia elétrica aos seus consumidores residenciais, comerciais e industriais. Também não iríamos produzi-los aqui. Deixando de gerar empregos e tributos; nem o fabricante iria comprar a matéria-prima para sua produção. Gerando uma espiral decrescente no nosso ritmo industrial, com seus reflexos no comércio e no setor de serviços. Pois os nossos trabalhadores por não terem emprego, também não consomem no mesmo nível de quando estão bem empregados.

Temos de ver a economia como um mecanismo composto por diversas engrenagens. Algumas destas engrenagens são pequenas e giram velozmente. Outras são de tamanho médio e giram um pouco mais lentas. E Finalmente há as grandes engrenagens que giram lentamente. A navegação corresponde as grandes engrenagens. Em um único navio cabem dezenas, centenas ou até milhares de caminhões. Já os caminhões são as pequenas engrenagens. Que circulam de um lado para o outro. Levando e trazendo a produção de pequenos, médios e grandes produtores. Concentrando e distribuindo produtos e mercadorias. Mas é o comércio mundial que move a economia do mundo. E este é realizado por meio dos navios. Um mecanismo equilibrado possui engrenagens de todos os tipos. E é este equilíbrio que devemos buscar. Pois ele racionaliza nossas operações, garantindo a economia de nossos recursos por um lado de nos dando maior competitividade e um custo menor por outro lado.

Foto: Carlos Oliveira

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