Com 21 anos de existência e basicamente transportando sal marinho. O “São Luiz” esta cada vez mais lento e acabado. Há alguns anos atrás eram seus guindastes que não funcionavam mais. E para que o mesmo pudesse abrir seus porões era obrigado a navegar com os guindastes sempre levantados. Causando muito mais riscos a sua segurança, do que benefícios. Já que elevava o ponto de equilíbrio do navio, reduzindo sua estabilidade.Retirados os guindastes, o navio ampliou sua estabilidade e segurança. No entanto,a baixa velocidade com que navega é sempre um risco. Já que o mesmo não pode reagir com a devida rapidez, caso isto seja necessário.

Desta vez, o “São Luiz” entrou em Rio Grande na manhã da quinta-feira (01/OUT). Recebeu o prático da lagoa dos Patos às 10 horas. E seguiu navegando pelas águas da lagoa a velocidade de 4 nós por hora. Este ritmo foi mantido até a altura da cidade de Camaquã. Quando o navio conseguiu imprimir mais velocidade. Quando passou a navegar a 5 nós por hora. Velocidade que posteriormente foi levantada para 5,7 nós. Para efeito de comparação, o normal dos navios que fazem o trajeto Rio Grande – Porto Alegre é de percorrer esta distância em 18 horas. Como os canais artificiais não são liberados para navegação no turno da noite. Cada viagem dura em média 24 horas.
No caso do “São Luiz” a sua viagem só terminou às 19:30 da tarde de sexta-feira (02/OUT) quando ele finalmente atracou junto ao cais Navegantes, do porto de Porto Alegre. Isto é, ela durou levou 33 horas e meia para fazer o mesmo percurso.
Mas isto não é o fim de sua aventura. O navio, como já foi dito. Não possui guindastes para realizar o descarregamento de sua carga. Ele depende dos equipamentos do porto para isto. E o porto de Porto Alegre esta na penúria há anos. Dos três guindastes que o mesmo possui. Somente um tem condições de funcionar. E mesmo assim de forma precária. Então com descarregar o navio?
A solução adotada foi enviá-lo para um terminal fora da área controlada pelo sistema ISPS-Code. Que regula a segurança dos portos em âmbito mundial. Ou seja, se levou o navio para um perímetro sem os requisitos de segurança, o que é uma solução não só paliativa, mas controversa. E para fazer isto o mesmo teve de realizar o giro antes de atracar. Fato ocorrido em área inapropriada para tal. Principalmente com o navio carregado. Já que desde que o navio mercante “Santa Katarina” encalhou, em frente ao cais Navegantes, do porto de Porto Alegre. Este tipo de manobra tem sido evitado, com navios mercantes de grande porte, carregados.
O que nós podemos concluir é de que não só a navegação, mas também a atividade portuária são carentes de atenção e de cuidado. Seja pela falta de investimentos, seja pela falta de profissionalismo. Navegar com a bandeira brasileira é muito difícil. Assim como ter um porto público funcionando com competitividade também o é.
Pensem nisso!
Vanderlan Vasconselos
Fotos: Carlos Oliveira
Nenhum comentário:
Postar um comentário